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Agronegócio

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Algumas empresas do setor de agronegócio são excepcionais. São modernas em todos os sentidos, da mentalidade à tecnologia. E elas passam uma impressão errada sobre o setor; na verdade, o setor é bem mais atrasado que essas empresas supervisíveis.
As empresas agropecuárias investem menos em informática do que deveriam e, talvez, do que poderiam.

 

 


Por isso, um dos grandes problemas do setor é interligar todas as empresas, interligar a cadeia de produção, dos quem produzem sementes aos que vendem pão no supermercado. Nem todas as empresas têm sistemas modernos o suficiente para interligar.
São exatamente esses dois fatores – a exportação e o processamento das commodities agrícolas – que puxam a utilização de recursos de tecnologia da informação no setor de agronegócios. Até que ponto a informática está sendo utilizada nas atividades ligadas ao campo? Dependendo de onde se olhe, a resposta pode variar de "uso intensivo de sistemas de última geração" a "desconhecimento quase completo sobre TI" – e não há exagero nessas afirmações. Existem dois mundos que coexistem no campo brasileiro.
É a própria lógica dos negócios que começa a empurrar os empreendedores do campo para a informática. Como nas commodities agrícolas todos vendem pelo mesmo preço, leva vantagem quem tiver uma produção mais barata e eficiente. Por isso, controle orçamentário, custeio e planejamento de compras ganham importância. "As empresas mais agressivas do setor estão investindo em gestão – e aí TI tem um papel fundamental", afirma Gilberto Girardi, diretor executivo da SRI Tecnologia da Informação, fornecedora de sistemas especializada no segmento agroindustrial.
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Mercado heterogêneo

Ironicamente, o isolamento dos modismos da informática corporativa faz com que as companhias ligadas ao agronegócio sejam compradoras de TI que sempre seguiram à risca os atuais mandamentos do bom CIO, como alinhar tecnologia com negócios e provar o retorno de cada investimento. No campo, isso sempre pareceu óbvio. "Não adianta falar de e-business ou portal corporativo. O fornecedor de TI que quiser clientes nessa área tem que falar em confiança, custo e mostrar o que a empresa vai ganhar. Sem esses três elementos não há conversa", afirma Gennaro.
Isso não significa ser avesso à tecnologia. Em algumas situações, o impacto da informática ocorre diretamente no negócio dessas empresas. É o caso da utilização de dispositivos com GPS para realizar a cartografia do solo e assim determinar a quantidade de adubo ou defensivos agrícolas que cada área específica dentro de uma plantação deve receber – a chamada agricultura de precisão, que traz ganho de produtividade e redução de custos.
Há produtores utilizando handhelds no campo para registrar todas as operações e transmitir dados em tempo real, outros equipando tratores e caminhões com computadores de bordo. Tudo isso impressiona, mas não é correto imaginar uma revolução de TI no campo. As mudanças ocorrem lentamente e ainda esbarram em muitos pontos de resistência. Na terra em que se plantando tudo dá, a tecnologia da informação ainda não conseguiu brotar com força, mas finalmente começa a encontrar terreno fértil.

Governo injeta informática na lavoura

Com a Embrapa à frente, órgãos públicos conduzem uma série de projetos de informática para impulsionar os agronegócios.
Mesmo esbarrando em restrições orçamentárias e mudanças de diretrizes, o governo federal tem conseguido apoiar os agronegócios nacionais com projetos fortemente calcados em tecnologia da informação. Se a velocidade e a abrangência das iniciativas nem sempre corresponde aos anseios do setor, ao menos é inegável que o poder público não está parado e diversos programas surgem por todo o país.
As principais ações nesse sentido estão concentradas na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura. O Ministério da Ciência e Tecnologia também apóia por meio do Fundo Setorial de Agronegócios (CT Agronegócios), que este ano conta com orçamento de R$ 26 milhões para fomentar projetos que promovam a atualização tecnológica da indústria agropecuária.
Conseguir uma base para respaldar o país em negociações de comércio exterior é um dos objetivos que levam o governo a investir em TI no âmbito do agronegócio. "Em qualquer acordo bilateral é preciso ter sistemas de informação organizados, de fácil acesso e comprovação imediata. Sem isso não se consegue nem começar a negociar com outros países", afirma Joaquim Naka, assessor do Ministério da Agricultura. "Tecnologia da informação se tornou indispensável para garantir agilidade e competitividade no agribusiness", concorda Rodrigo Rollemberg, presidente do comitê gestor do CT Agronegócios.


Nível de maturidade por segmento

O estágio atual da TI nas empresas do setor de agronegócio.
Sucroalcooleiro – Está amadurecendo rapidamente desde que o governo saiu do controle de regulação de preços. Na média, as empresas dessa área estão muito preocupadas com TI e propensas a investir. É um mercado que vem buscando tecnologia para o que é diretamente ligado à operação e para o suporte a suas funções.
Cítricos – O Brasil tem uma atuação destacada no mercado internacional de laranja e as empresas nacionais desse segmento vêm pensando em tecnologia da informação constantemente. O setor está investindo, buscando renovar o parque e procurando formas de transformar investimento fixo em variável. O nível de maturidade em TI é, na média, bom.
Grãos – Excluindo algumas grandes empresas, ainda é uma área em que o uso de informática está no estágio embrionário. Como as empresas desse segmento não estão em crise, não sentem urgência em investir em TI. No entanto, as companhias estão capitalizadas e poderiam aproveitar o momento para ganhar eficiência de gestão com uso de sistemas. Pecuária – O perfil de adoção de TI nessa área está um passo atrás das empresas de cítricos e do ramo sucroalcooleiro. Embora ainda não esteja maduro no uso de informática, há um bom potencial no médio prazo.
Outros – Há diversas empresas que atuam em áreas diferentes, desde fornecedoras de insumos e maquinário agrícola até os produtores de culturas com menor peso na balança comercial brasileira. Nessas culturas, há um perfil de adoção de TI similar ao do setor de pecuária e grãos, na média. Entre os fornecedores o nível de adoção de TI é variável.

O agronegócio brasileiro em números

O volume de exportações nos diversos segmentos vem crescendo ano a ano.
• Vendeu 1,8 mil produtos para 208 destinos em 2003
• Detém 34% do PIB nacional
• Gera 37% dos empregos brasileiros
• Exporta US$ 30,7 bilhões, com um superávit de US$ 25,8 bilhões
• Responde por 42% das exportações totais do país
• O complexo soja (grão, farelo e óleo) exportou US$ 8,1 bilhões em 2003.
• Em 2004, estima-se que as exportações cheguem a R$ 12 bilhões no complexo soja e a US$ 4,5 bilhões no complexo carnes.
Fonte: Ministério da Agricultura

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